Itinerário do Processo de Beatificação e Canonização

Tudo começou em 1931 com a chegada de Frei Félix de Olívola, capuchinho de Lucca, Itália, vindo para residir no Convento Nossa Senhora da Penha, em Recife-PE. Logo que chegou, tomou conhecimento da figura extraordinária de seu confrade, outrora bispo de Olinda, Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, e refletiu: “Por que não pensar na beatificação deste homem?”. E começou a trabalhar imediatamente. Do bispo que já tinha fama de santo, Frei Félix escreveu uma biografia intitulada “Um Grande Brasileiro”; o sucesso foi grande a ponto de chegar a três edições. Era necessário que o episcopado brasileiro estivesse unido à Causa, para isso, Frei Félix solicitou que Cardeal Sebastião Leme, arcebispo do Rio de Janeiro, falasse sobre Dom Vital no I Congresso Eucarístico Nacional, que se realizou em Salvador-BA, em 1933. Os bispos assinaram uma petição que foi enviada ao papa Pio XI.

 

1º Vice-postulador e 1ª Comissão Histórica

Em 1948, Frei Félix decidiu ir à Itália com a intenção de dar início em Roma ao processo de beatificação. Não conseguiu chegar lá. Morreu durante a viagem de navio, na altura de Cabo Verde. Mas os capuchinhos resolveram dar continuidade aos trabalhos iniciados por Frei Félix e naquele mesmo ano foi nomeado o 1º Vice-postulador na pessoa de Frei Otávio de Terrinca. Tratava-se de Vice-postulador porque os trabalhos eram orientados pelo Postulador Geral dos capuchinhos em Roma, Frei Bernardino de Sena. Esta nomeação não implicou necessariamente o início oficial da Causa que só aconteceu no dia 24 de julho de 1953 com o Decreto de Abertura feito pelo então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio de Almeida Morais Junior.

Foi nomeada a 1ª Comissão Histórica:

Cônego José Ayrton Guedes

Frei Bonifácio Müeller, OFM

Professor Rui Belo.

 

2º Vice-postulador e 1º Tribunal

 Aos 13 de novembro de 1959 foi nomeado um novo Vice-postulador para agilizar os trabalhos, tratou-se de Frei Teodoro de Bargecchia. Com ele a causa tonou novo impulso e pode-se dizer que foi um período muito produtivo e de grande dinamismo.

 

No dia 23 de janeiro de 1960 foi constituído o Tribunal com os seguintes membros:

Cônego José Ayrton Guedes (Juiz Delegado)

Cônego Manoel de Barros Barreto (Juiz Adjunto)

Padre Arnaldo Cabral de Souza (Juiz Adjunto)

Frei Tito de Piegaio, OFMCap. (Promotor da Fé), depois substituído pelo   

Frei Rafael de União dos Palmares, OFMCap.

Cônego Nivaldo Estela Melo (Cursor)

Sr. Aluízio José de Oliveira (Cursor).

 

2ª Comissão Histórica e sua atuação

 

Foi constituída uma nova Comissão Histórica com os seguintes membros:

Frei Tito de Piegaio, OFMCap.

Frei Bonifácio Müeller, OFM

Professor Dr. José Antônio Gonsalves de Melo

 

Esta comissão teve uma atuação brilhante. Todo o arquivo De Dom Vital que hoje serve de base sólida para a fundamentação do processo se deve a ela. Foram feitas pesquisas e recolhimento de documentos inéditos em todos os lugares por onde Dom Vital passou. Com a morte de Frei Bonifácio Müeller em 1966, foi ele substituído por Frei Venâncio Willeke, OFM (02/08/1966).

 

Estacionamento e retomada da Causa

 

A festa pelo centenário da morte de Dom Vital, a 04 de julho de 1978, foi realizada com muito brilhantismo e com a publicação de um livro sobre o Servo de Deus, de autoria do Frei Teodoro Huckelmann, OFM. Depois da festa, a causa parou; não houve nenhum ato oficial neste sentido, mas a coisa aconteceu por si mesma, no entanto contribuíram para isso: o tempo, a mentalidade, e os debates ideológicos e pastorais.

Com o objetivo de trazer à tona a memória de Dom Vital, levando em conta sua fama de santidade ainda existente entre as pessoas, Dom José Cardoso Sobrinho, OCarm., no dia 14 de janeiro de 1992 decretou a reabertura do Processo de Beatificação e Canonização de Dom Vital, constituindo para isso uma comissão composta por:

Frei Teodoro Huckelmann, OFM

Monsenhor José da Silva Aragão

Monsenhor Miguel Ângelo Cavalcanti

Frei Severino Batista de França, OFMCap.

 

Como se vê, por este ato, a Causa passou da responsabilidade da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos para a Arquidiocese de Olinda e Recife.

 

O novo Postulador, a obtenção do Nihil Obstat

 

No dia 15 de março de 1993, o Monsenhor Francisco de Assis Pereira foi nomeado Postulador. Umas das primeiras providências foi conseguir o “Nihil Obstat” da Santa Sé. Este documento foi assinado aos 03 de novembro de 1994, pelo então Prefeito da Congregação, Cardeal Ângelo Felici, e dá livre acesso à Congregação da Causa dos Santos.

 

Nova Comissão Histórica e novo Tribunal

 

Em 05 de abril de 2011 foi constituída uma nova Comissão Histórica, a saber:

Monsenhor José da Silva Aragão (Presidente)

Padre Ferdinand Azevedo, SJ

Professor Dr. Frederico Pernambucano de Mello

 

A constituição do novo Tribunal deu-se a 11 de maio de 2011, com os seguintes membros:

 

Monsenhor Edvaldo Bezerra da Silva (Juiz Delegado)

Frei Francisco Fernando da Silva, OFM (Promotor de Justiça)

Padre Paulo Sérgio Vieira Leite (Notário Atuário)

Padre Roberto Nogueira do Nascimento (Notário Adjunto)

Ana Nery Costa da Silva (Cursor)

 

Sessão Solene, trabalhos e Conclusão da Fase Diocesana

 

Chegou à Arquidiocese de Olinda e Recife uma carta do Cardeal Jean-Marie Lustiger, arcebispo de Paris, manifestando o seu acordo para que o processo de Dom Vital fosse feito em Recife. Pela legislação canônica, esse processo se realiza na diocese onde o Servo de Deus morreu; no caso, em Paris.

Aos 18 de maio de 2001, aconteceu no Palácio da Soledade, em Recife-PE, a sessão solene de instalação do Tribunal Eclesiástico do Processo Canônico de Beatificação e Canonização de Dom Vital.

O Tribunal se reuniu em várias sessões, de 18 a 26 de junho de 2001, para ouvir as testemunhas sobre a fama de santidade de Dom Vital e receber o relatório da Comissão Histórica.

No dia 04 de julho de 2001, 123º aniversário da morte de Dom Vital, deu-se a sessão de encerramento da Fase Diocesana do processo, com a presença do eminentíssimo Cardeal Eugênio de Araújo Sales, arcebispo do Rio de Janeiro e de vários bispos do Nordeste. As atas do processo seguiram para Roma e foram entregues à Congregação da Causa dos Santos, começando, então, a Fase Romana. Estamos, agora, à espera do pronunciamento da Santa Sé.


A Causa reentregue aos Capuchinhos/ novos Postulador e Vice-postulador

 

Com o falecimento do postulador Monsenhor Francisco de Assis Pereira, em 13 de dezembro de 2011 e tendo em vista a continuidade do acompanhamento da Causa, o atual arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido, OSB, solicitou aos frades capuchinhos que aceitassem a condução do processo. A solicitação foi aceita pelo ministro provincial Frei Francisco de Assis Barreto, OFMCap. E, aos 25 de julho de 2012, o arcebispo nomeou Frei Florio Alexander Tessari, OFMCap., Postulador Geral dos Capuchinhos como postulador da Causa de Dom Vital. Por sua vez, precisando de alguém que acompanhe o processo no Brasil, o Postulador Geral nomeou no dia 18 de setembro de 2012 o Frei Jociel Gomes, OFMCap., para o ofício de Vice-postulador.

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